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Speak and Lead

The SpeakCast, 2º Ep. | Jorge Morais Carvalho

Novo Artigo - Episodio 2 - The SpeakCast - Speak and Lead

O convidado do segundo episódio do podcast The SpeakCast é Jorge Morais Carvalho. É jurista licenciado e doutorado em Direito pela Faculdade Nova de Lisboa, onde também exerce a profissão de professor. O seu trabalho também se cruza pela investigação, sendo autor e co-autor de uma série de livros na área do Direito Civil, Processo Civil, Comercial e Direito de Consumo. As posições mais importantes da sua vida são a sua profissão de professor e a sua família.

Desde criança que o convidado sonhava ser jornalista, no entanto, na hora da escolha ficou dividido entre jornalismo e Direito. Acabou por escolher a última pelas múltiplas oportunidades que poderia vir a ter nesta carreira. O momento determinante foi a Faculdade NOVA no ano seguinte abrir, pela primeira vez, o curso de Direito. Foi assim que encontrou o seu caminho e que escolheu a opção que acabaria por se tornar numa das suas melhores escolhas. “Não foi um gosto natural desde criança pelo direito, esse gosto vai surgir mais tarde durante a licenciatura…”

 

Quão importante é a comunicação na vida de um jurista?

Para o jurista, segundo Jorge, a comunicação é fundamental no contexto da profissão, pois o “instrumento principal do jurista é a palavra…é absolutamente essencial, central”. É notável a forma como o curso pode ser transversal em todas as áreas que um jurista e um advogado pode optar por escolher. Muitas vezes, é pela forma como transmitem a sua mensagem que se destacam na sua capacidade enquanto juristas, sendo um dos principais pontos de modo a “convencer no bom sentido” que é a decisão certa e a fazê-la compreender. Quando esta decisão é tomada, deve ser compreendida e aceite pelo público e, para isso, é necessária uma boa exposição do juiz ou do advogado. Sendo o convidado professor na NOVA, também considera significante na aprendizagem dos seus alunos “se não for possível transmiti-lo … está a falhar”.

 

Acha que as faculdades deveriam ter uma cadeira dedicada à comunicação?

Segundo o professor, estes tipos de conteúdos devem estar integrados em todas as cadeiras, incluindo a comunicação escrita como a oral, pois “têm de ser treinadas em todos o curso” e até considera mesmo antes do ensino superior. Algumas técnicas de direito têm em conta o aperfeiçoamento da comunicação e, se forem corretamente utilizadas, são um potenciador muito grande do profissional, porque “a oralidade é um aspeto importante num jurista”. “As simulações de julgamentos são cada vez mais revelantes, instrumentos muito importantes para treinar a comunicação…a confiança na forma como se comunica”. Poderão existir eventualmente cadeiras que apliquem apenas conhecimentos de comunicação, no entanto, todas devem incluir este tipo de conhecimento.

 

Que outras soft skills acha que um jurista deve possuir?

Jorge diz que as softs skills estão relacionadas com capacidades fundamentais de um jurista. As principais que destaca são:

  • Saber dar feedback: permite dar ao outro a oportunidade de melhorar e de compreender a forma de o fazer;
  • Capacidade negocial: saber como negociar as suas ideias de modo a que possam ser ouvidos e consideradas pelo outro, “parece-me muito relevante, central para ser um bom jurista”;
  • Saber ouvir: é importante para poder perceber de que forma se pode negociar e a forma de ajudar no processo do cliente;
  • Inteligência Emocional: saber afastar-se do elitismo por um lado e, por outro, colocar-se no lugar do ser humano, saber fazê-lo sem egocentrismo. “Um advogado que não compreenda o seu cliente ou que não compreenda a outra parte, terá muita dificuldade em fazer o seu trabalho de um modo adequado” e “em atingir o seu objetivo…a satisfação por parte do cliente”;
  • Saber Mediar: meio de resolução de elitismos, saber como chegar a um consenso sem que tenha de tomar proporções mais desvantajosas para o cliente.

 

Tem alguma referência na comunicação?

O jurista, no âmbito da comunicação, tem em conta dois professores que considera “dois dos melhores comunicadores que conheci pessoalmente” que foram o Professor Diogo Freitas do Amaral e Professor Carlos Ferreira de Almeida. Em relação ao prof. Diogo Amaral “eu ia para as aulas ouvi-lo, eu não ia aprender sequer… eu ficava fascinado” e “tentava a perceber a forma como o fazer”, pela capacidade que tinha na comunicação verbal ou não verbal. O Prof. Carlos Almeida foi orientador do nosso convidado e, como o anterior, ia para as aulas ouvi-lo, sendo “também um comunicador na relação interpessoal…nas conversas quando havia um intervalo …ouvi-lo era fascinante”, sabia como utilizar a palavra.

No espaço público considera ainda uma referência Ricardo Araújo Pereira pela forma como convence as pessoas, seja de temas sérios ou não sérios. Um bom comunicador a seu ver. “Preocupa-me por vezes quando o ouço…por ele comunicar tão bem que possa haver determinados interesses que estejam escondidos naquilo que ele quer comunicar e possam não ser os melhores”. O convidado considera que existe também um lado um pouco perigoso, apesar do interesse.

 

Tem algum hobbie?

O jurista ouve podcasts, tanto de Ricardo Araújo Pereiro como o da Speak & Lead. Além disso, gosta de dar passeios enquanto ouve podcast, principalmente para sair de casa em contexto de pandemia. O tipo de podcasts que houve é variado, passando por áreas de economia, história, não temáticos, … É o seu hobbie de eleição quando tem oportunidade de o fazer. Outro hobbie na vida do professor é o poker. Uma atividade diferente, onde, noutros tempos, fazia pesquisa seja da análise do jogo como da  análise das pessoas durante o mesmo.

 

Perspetivas a nível pessoal e profissional?

Está focado na sua família e no investimento dessas mesmas relações pessoais , sendo uma das principais prioridades da sua vida, sobrepondo-se à sua profissão.

A nível profissional “o meu grande objetivo é continuar a formar pessoas” e a ajudar os seus alunos, que se interessem mais na sua área de Direito de Consumo, uma área que é uma paixão deste professor da NOVA. Para além disso, apesar de poder eventualmente atingir cargos superiores na sua carreira, não troca o seu principal foco, que são os alunos, nomeadamente o reconhecimento dos mesmos.

 

Que conselho de vida daria aos estudantes universitários e aos ouvintes?

O conselho que o entrevistado dá aos juristas do amanhã é colocarem-se no lugar do outro, seja quando estamos a analisar a nossa realidade ou o nosso pensamento. No entanto, não fica por aqui, o jurista considera de extrema importância a honestidade, “ter um comportamento honesto e íntegro…poder olhar no espelho ao final do dia e sentir que fez a diferença”. Acrescenta ainda outro aspeto importante que é o ser inovador, “pensar fora da caixa, encontrar fora da caixa”.

 

Para todos os ouvintes, o convidado quer que fique a ideia de que um jurista “deve ser o contrário do formalista”. Deve dar menos importância à extrema formalidade e burocracias que por vezes, um processo pode tomar, e mais na justiça concreta e o objetivo daquele processo.

 

 

Esperamos que tenhas gostado deste resumo do 2º episódio de The SpeakCast. Se ficaste curioso e o queres ouvir, tal como o nosso convidado, fica aqui o link para acederes ao mesmo:Ep 2 – Jorge Morais Carvalho (Jurista, Professor NOVA School of Law) by The SpeakCast • A podcast on Anchor

 

 Artigo redigido por Beatriz Maduro.

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