Speak and Lead

Maiores Erros ao
Falar em Público

Comunicar é muito mais do que transmitir uma mensagem. Tem como grandes finalidades captar e manter a atenção e garantir retenção de informação. Mais do que forma versus conteúdo, não é o que dizemos mas sim o que a audiência relembra; não é como dizemos mas sim como estruturamos a apresentação.

Vários erros são cometidos no que concerne à área de public speaking. Alguns baseiam-se em mitos, outros em distorções da realidade, outros na “simples” ausência de autoconfiança.

Por exemplo, se a nossa linguagem não verbal transmitir desconforto, a audiência consegue captá-lo de imediato e a sua atenção reduz drasticamente. Este acontecimento é disparado pelo chamado neurónio espelho: de forma subconsciente, o público imita o comportamento do orador baseado na dicotomia conforto/desconforto. Se o orador está desconfortável, a audiência fica desconfortável. Sente, inclusive, vergonha alheia.

Veja, abaixo, alguns dos maiores erros ao Falar em Público.

Falar em público
Fonte: unsplash.com

1. Desvalorização da situação

Estarmos nervosos antes duma apresentação significa que nos preocupamos com o que vai acontecer, em garantir que o público vai perceber a nossa mensagem, em ter uma boa prestação em palco, em atingir os nossos objetivos.

Perante frases como “não te preocupes” ou “imagina a audiência nua”, o incentivo para fazermos o nosso melhor decresce, levando-nos a não nos prepararmos ou treinarmos. Internamente sentimo-nos menos nervosos mas, externamente e na realidade, teremos uma pior apresentação e iremos falhar.

Temos de aprender a lidar com a circunstância e colocarmo-nos nas melhores chances possíveis de atingirmos os nossos objetivos.

2. Confiança líquida

Porque é que algumas pessoas julgam que o álcool é útil antes de momentos de comunicação? É, claro, um efeito placebo – não vai, efetivamente, tornar-nos mais confiantes e vai, pelo contrário, abalar a nossa prestação.

O álcool tolda a nossa capacidade de raciocínio (uma única cerveja pode ter esse efeito). Ficamos com menor acesso ao nosso processo de memorização e usamos ainda mais bengalas verbais (“ahm…”) do que normalmente. Os tiques nervosos são, também, exponenciados pelo álcool.

3. Comprimido mágico

Antes duma apresentação, há quem recorra a betabloqueadores. Estes são comprimidos que, como indica o nome, bloqueiam o nervosismo… e todas as outras emoções. A pessoa deixa, de facto, de se sentir nervosa mas acaba por se assemelhar a um zombie: não tem expressões faciais, não gesticula, está completamente parada e com um discurso monocórdico.

As soluções naturais são sempre melhores e mais eficazes do que as soluções químicas. Veja o artigo Como não ficar nervoso ao falar em público? para descobrir alternativas saudáveis, realistas e eficazes ao uso de produtos químicos nefastos para o seu bem-estar e para as suas apresentações.

4. Agradecimentos em 1º lugar

O politicamente correto leva-nos, frequentemente, a iniciar a apresentação agradecendo aos colegas do painel, ao Dr. XPTO… Quando começamos assim, estamos, basicamente, a dizer à audiência que a apresentação não vai ser interessante mas sim “mais do mesmo”.

A Atenção Total Seguida do ser humano é de cerca de 2 minutos. É nesse tempo que recolhemos toda a informação e tomamos total atenção. Isto significa que o início da nossa apresentação irá ditar o grau de atenção que vamos ter por parte do público. É, ainda, nos primeiros 10 segundos que a maioria da atenção é retida e a audiência se questiona se vai valer a pena prestar atenção.

Se conseguirmos captar essa atenção logo no primeiro minuto, será muito mais fácil mantê-la. Se não conseguirmos, muito dificilmente iremos ser capazes de reganhá-la.

Se há agradecimentos a fazer, principalmente em momentos formais, devemos fazê-los, no mínimo, após a abertura do discurso. A abertura deve ser, por exemplo, colocar uma questão ou fazer uma citação (esta última aumentando o grau de credibilidade percecionada por parte do público).

No entanto, o momento ideal para os agradecimentos é no final da conclusão.

A audiência, no preciso momento em que se percebe que algo vai terminar, dá toda a atenção ao orador. Aqui, o orador reganha, então, a atenção da audiência para chegar ao impacto final – a mensagem-chave que ficará na cabeça do público.

5. Só o material é que importa

Uma apresentação informativa, bem feita, anda à volta de 90 palavras por minuto. Prima-se pela clareza do discurso, baixando a velocidade a que se fala, e há menos material, para que toda a mensagem seja percebida. Um discurso persuasivo contém de 150 a 170 palavras por minuto. Um discurso motivacional, de 200 a 210, contagiando a audiência com energia.

Isto significa que, dependendo do nosso objetivo em concreto, devemos encontrar a melhor forma de transmitir a mensagem e garantir que o conteúdo e a forma estão em concordância com esse objetivo.

6. “Não sejam maus para mim”

“Estou nervoso, não levem a mal”, “É uma apresentação que já tenho preparada há anos, se não for boa não levem a mal”… São frases que, não com pouca frequência, são usadas por alguns oradores. Ao fazermos isso, baixamos as expectativas e perdemos a audiência, automaticamente criando uma barreira de comunicação.

7. Pedir desculpa

Pedir desculpa chama atenção para o erro que, se calhar, ninguém notou. A comunicação é extremamente imediata, o que significa que, se continuarmos com o nosso discurso fluído, não sinalizamos o erro e a audiência dificilmente se apercebe do mesmo. Um erro irrelevante ganha relevância ao relembrarmos a audiência desse erro.

8. Surpresas com 200 pessoas

Se somos convidados para, por exemplo, uma palestra e a organização que nos convida não cumpre com a obrigação de nos dar determinadas informações e orientações, cabe-nos, enquanto oradores, procurar saber:

  • Qual a temática
  • Qual o público
  • Para quantas pessoas
  • Durante quanto tempo
  • Quando
  • Onde (espaço físico)

A grande maioria dos traumas de falar em público deriva da falta de resposta a estas questões. Chegar mais cedo ao local, se não for possível visitá-lo com mais antecedência, é crucial para estudarmos as possibilidades de movimento corporal e exposição. Outra opção, embora não ideal, é termos uma fotografia do espaço.

9. Demasiado foco no suporte digital

Devemos sempre começar por fazer a preparação da nossa apresentação a papel e caneta; isto traduz-se em maior eficiência. A última coisa a elaborar, em contraste, é o PowerPoint, que complementa a narrativa. Deixá-lo para último significa que teremos menos tempo para os fazer (pois usamos tempo precioso da maneira correta, preparando e adaptando todo o conteúdo do discurso), logo, será mais simples e direto. Um suporte digital complementa a apresentação; nunca a substitui.

Além disso, de cada vez que alteramos o foco de atenção, do orador para o PowerPoint ou vice-versa, perdemos 0,5 segundos de informação. O suporte deve, portanto, ser o menos complexo possível.

10. Fugir da audiência

No decorrer da nossa apresentação, se ficarmos na parte de trás do palco, encostados ao PowerPoint, teremos mais tendência a olhar para e a refugiarmo-nos nos slides. Consequentemente, a voz será projetada para a parede e constituirá uma barreira na comunicação.

Em contrapartida, se estivermos mais chegados à parte frontal do palco, conseguimos manter mais contacto visual com a audiência, passamos uma imagem mais confiante e damos sinais de conforto, ao mesmo tempo que demonstramos menor dependência do PowerPoint.

Se necessitarmos de nos movimentar, devemos, então, fazê-lo na parte da frente do palco. Se não for o caso, devemos, antes de iniciar a apresentação, dar um passo em frente na direção da audiência – isto sinaliza que estamos à vontade, que o palco é nosso e que vamos começar. Se estivermos sentados ou atrás de um púlpito, devemos simular este “passo em frente” inclinando-nos ligeiramente para a frente.

Saber o que evitar e onde nos devemos focar, antes e durante uma apresentação, é crucial para uma prestação de excelência. Sente que ainda não tem o que precisa para discursar com fluidez e passar a mensagem certa à sua audiência? O Curso de Falar em Público dá-lhe todas as ferramentas para que possa atingir o seu objetivo. Participe!

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