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comunicar ciência

A palavra comunicar é definida como a capacidade de partilhar, fazer saber, transmitir e fazer-se compreender. Aqui, temos alguns dos aspetos a considerar quando comunicamos: comunicar é transmitir, de forma compreensível, a mensagem que queremos partilhar com a audiência para que esta fique com mais conhecimento.

Como é que conseguimos transformar este processo de comunicação numa retenção de informação? A qualidade da comunicação aumenta a compreensão por parte da audiência e, consequentemente, a retenção da informação.

A comunicação é transversal a todas as áreas. Saber comunicar é uma das competências mais importantes no dia-a-dia, uma vez que comunicamos em diferentes contextos, do social ao profissional – no profissional, é uma das soft skills mais valorizadas porque permite comunicar ideias, projetos e interagir com os outros membros da equipa.

A importância destas características destaca-se na comunicação de ciência.

fonte: unslpash.com

Modelos de comunicação científica: o envolvimento da audiência

Há vários modelos de comunicação de ciência, sendo o modelo participativo o mais usado atualmente. Este modelo de informação é interativo, baseado no diálogo e na pluralidade de visões, envolvendo a opinião e o parecer da audiência.

Mas porque é que precisamos de comunicar ciência? Este tipo de comunicação visa informar, adereçar equívocos e contribuir para a construção da verdade. Tem diversos benefícios, nomeadamente, a transferência de conhecimento, o aumento do impacto e da valorização da imagem da ciência e o desenvolvimento das skills e da carreira do comunicador. Todas estas vantagens são potenciadas pela qualidade da comunicação e, neste artigo, deixamos-lhe algumas dicas para que atinja uma melhor comunicação na área da ciência, desde a forma ao conteúdo da mensagem.

Como comunicar Ciência?

Conhecer a audiência

A comunicação de ciência pode ser dividida em comunicação para:

1) Pares – em conferências, workshops, colaborações e nos media;
2) O público em geral – em conferências, workshops, media em diferentes tipos de atividades.

O conhecimento do tipo de audiência é a chave para o planeamento de uma apresentação de sucesso. Mas em qualquer um dos dois cenários a audiência é heterogénea, com diferentes níveis de conhecimento e entendimento acerca da temática. Devemos considerar que não estamos a falar nem só para experts na matéria, nem só para fãs de ciência.

Saber de antemão qual será o público permite ao comunicador de ciência ajustar o conteúdo e a forma da apresentação. Deve ser tida em conta a forma como a audiência procura, recebe, assimila e usa a informação científica. O orador deve, também, procurar a melhor forma de abordar a temática, pensando, por exemplo, na utilidade da mesma. Assim, capta a atenção do público e reconhece o impacto da ciência nesse mesmo público, conseguindo aumentar os seus níveis de participação e envolvimento.

Independentemente da audiência, o comunicador deve ter respeito pelos factos e pela verdade daquilo que transmite. Não deve enfatizar excessivamente os resultados, desvalorizar as consequências – negativas e positivas – da ciência e deve representar a ética e transparência dos resultados. 

Cativar e envolver a audiência

O papel do comunicador de ciência é cativar o seu público para a temática apresentada. Contudo, há alguns obstáculos a ultrapassar, sendo os principais:

1) Cognitive miser – em psicologia, é conhecido como a tendência que as pessoas têm para resolver problemas da maneira mais simples e menos exigente, gastando o menor esforço cognitivo possível. Isto gera dificuldade em atrair o público para a ciência e para a literacia científica;

2) O facto de as pessoas serem maioritariamente atraídas pelo que confirma ou reforça as suas ideias. Há dificuldade em quebrar ideias previamente estabelecidas;

3) Os líderes de opinião – estes não são, na realidade, cientistas, o que prejudica a credibilidade atribuída aos profissionais de ciência. Esta barreira cria-se, portanto, devido à imagem demasiado estereotipada do cientista.

Estes obstáculos são particularmente relevantes na comunicação de ciência para o público em geral. Então, para conseguir estabelecer conexão com a audiência, o orador deve conhecê-la bem, perceber porque é que aquelas pessoas se preocupam com o seu trabalho e criar uma transmissão de emoção (convey emotion), aumentando a probabilidade de captar a atenção desejada. Para aumentar estes níveis de empatia, há algumas estratégias, como a linguagem utilizada (não complicar), a linguagem não verbal, o contacto visual e a organização da apresentação (estrutura), que simplificam o processo.

Mensagem: a protagonista da apresentação

O orador deve definir a mensagem a transmitir focando-se no que pretende que a audiência recorde e os objetivos a atingir com a apresentação. Deve ter a capacidade de passar a informação com elevada clareza e de forma compreensível, deve transmitir conhecimento e verdade (aumentando a sua credibilidade) e deve tornar a audiência interessada (engagement).

Para a clareza da apresentação podem contribuir aspetos como:
– Ter um discurso organizado e fluente;
– Transmitir a mensagem de maneira entusiasmada, recorrendo a exemplos e histórias;
– Não utilizar termos complexos e com diferentes significados (exemplo: tradução em ciência vs senso comum);
– Utilizar várias técnicas de retórica para valorizar o discurso;
– Recorrer ao uso de linguagem não verbal.

O discurso deve ser claro, com frases curtas e simples. Passar uma ideia por frase durante a exposição pode ser altamente útil. Quando a informação é muito complexa, o público tende a tomar decisões baseadas nos seus valores e benefícios, rejeitando a informação que os contraria. Adicionalmente, a complexidade do discurso diminui os pontos em comum entre o orador e a audiência, distanciando-os e, consequentemente, reduzindo a atenção ao discurso e a credibilidade do comunicador.

Recorrer a uma história pode ser bastante eficaz na comunicação de ciência – o storytelling humaniza os cientistas. A história deve ser, de qualquer forma, sintética, criando momentos de suspense e deixando a audiência a pensar acerca do desenrolar da história (envolvência da audiência). Para além disto, a história permite criar uma imagem na cabeça do ouvinte, uma realidade que pode ajudar a tornar a mensagem mais percetível e memorável.

A utilização do efeito WOW pode, também, provar-se extremamente útil. Funciona bem no início ou final da exposição oral e recorre à utilização de música, vídeo ou objetos complementares à mensagem como meio de ajuda à transmissão enfática da mesma

Forma: como aliá-la à mensagem

A comunicação é mais do que a oratória: começamos a comunicar antes de proferirmos a primeira palavra, assim que temos contacto com a nossa audiência. Isto não significa que a mensagem tem uma contribuição nula para a apresentação; pelo contrário: a mensagem é o principal. Contudo, a comunicação não verbal pode ajudar a reforçar essa mesma mensagem, contribuindo, mais uma vez, para a sua clareza, para a retenção de informação e para a credibilidade do orador.

A comunicação não verbal deve ser entendida como um complemento: o tom, a postura, a gesticulação e o contacto visual ajudam a tornar o discurso mais assertivo:

Postura corporal expansiva (sem exagerar), com os pés à largura dos ombros, numa posição ampla mas confortável. Esta postura facilita a comunicação e transmite confiança;

Gesticulação com impacto: a gesticulação complementa e clarifica a mensagem transmitida, sendo que podemos usar uma gesticulação mais descritiva (imagem visual de uma ação ou localização) ou mais enfática (destaca e reforça ideias). Na comunicação em ciência, a gesticulação descritiva é bastante útil;

– Criação de contacto visual, captando a atenção da audiência e aumentando a empatia e a credibilidade do orador.

A importância do treino

Treinar, treinar e treinar. Ninguém é bom comunicador de forma nata. Para comunicar bem ciência é preciso treinar. O treino começa quando se define o que se quer, para quem, onde e para que é que se quer comunicar. Depois destas informações, vem o processo de visualização. A visualização da mensagem e da forma como se deve transmiti-la são parte do treino e consiste num avanço temporal que permite a antecipação do que vai acontecer no momento da apresentação. Este processo requer conhecimento da audiência e do local de apresentação. Permite que o orador se ouça a falar e idealize a forma como vai estar em palco.

Em suma, na comunicação de ciência devemos ter alguns aspetos em consideração, nomeadamente: 1) objetivo da mensagem; 2) destinatário da mensagem e 3) propósito da apresentação. Para além disso devemos: 1) comunicar de forma concisa e clara, isto é, apresentar o objetivo da mensagem e os factos que a sustentam; 2) nunca comunicar algo que não seja verdade, privilegiando sempre a coerência e a consistência e 3) fornecer à audiência toda a informação necessária para que compreenda a mensagem que queremos transmitir.

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