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Argumentos e
as suas Falácias

Qualquer argumento tem como objetivo expor as razões que sustentam uma determinada conclusão. É através dos argumentos que defendemos e suportamos as nossas ideias e teorias. É um raciocínio lógico que assenta em premissas, como por exemplo, Todos os homens são mortais. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal.

O que se espera de um argumento é que seja verdadeiro. Contudo, da mesma forma que o nosso discurso se pode sustentar numa argumentação correta, pode também estar ligado a uma argumentação falaciosa. Esta baseia-se em razões que parecem sustentar uma determinada conclusão mas que, na realidade, não sustentam. Estamos perante uma falácia: um raciocínio errado com aparência de verdadeiro.

O recurso a falácias é comum nos vários âmbitos da vida moderna, desde discussões informais com amigos até discursos políticos ou anúncios televisivos, pelo que sabermos identificar quando estamos perante uma falácia é bastante importante para detetarmos erros e inconsistências nos argumentos dos outros.

A Filosofia e a Retórica preocupam-se em identificar este tipo de discurso e desconstruí-lo, de modo a identificar os vários tipos de falácias. Neste artigo, vamos centrar a nossa análise nas chamadas falácias de dispersão.

Falácias de Dispersão

As falácias de dispersão são caracterizadas pelo uso ilegítimo de um operador proposicional, como “e” e “ou”, para desviar a atenção do auditório da falsidade de uma certa proposição do argumento apresentado.

Falácia do Falso Dilema

Começamos, desde logo, pela falácia do falso dilema. Esta falácia distingue-se por ser dado um número limitado de opções quando, na verdade, existem mais. Assim, esta falácia utiliza o operador “ou” de forma ilegítima. Por exemplo, estaremos perante uma falácia do falso dilema quando alguém utiliza o argumento ou concordas comigo ou não concordas. Na realidade, podemos concordar ou discordar parcialmente com a opinião de alguém.

Outro exemplo muito comum deste tipo de falácia é a frase uma pessoa ou é boa ou é má. Também aqui há mais opções para além daquelas que são apresentadas: podemos ser boas pessoas mas, em determinadas circunstâncias, ter uma atitude má. Desta forma, não será uma verdade absoluta que apenas somos boas ou más pessoas.

Quando estamos perante este tipo de falácias argumentativas, a melhor forma de as refutarmos é apresentando outra opção, diferente da que nos é dada, suportando-a com um exemplo. Se alguém nos disser ou votas no candidato y ou será a desgraça do país, podemos responder mas o candidato x tem uma política semelhante, pelo que não é tão mau ao ponto de vir a ser uma desgraça nacional.

Falácia do Apelo à Ignorância

Ainda dentro das falácias da dispersão, temos a falácia do apelo à ignorância (argumentum ad ignorantiam), que se caracteriza por chegar a uma determinada conclusão pelo facto de não ter sido provada como falsa, ou seja, é dado como verdadeiro um determinado argumento só pelo facto de não se provar que é falso. Um exemplo recorrente deste tipo de falácia é os fantasmas existem porque ainda ninguém provou que não existem. Ora, apesar de ser de mais difícil refutação, não devemos assumir que algo é verdadeiro porque, no momento atual, não há prova em contrário.

Falácia da Pergunta Complexa

Mais um exemplo de falácia de dispersão é a falácia da pergunta complexa, em que dois aspetos, sem qualquer relação ou com uma relação mínima, são conjugados como se de uma só proposição se tratasse. Com esta falácia pretende-se que o outro aceite ou rejeite ambos os aspetos quando, na verdade, um pode ser aceitável e o outro não. Aqui o erro está na proposição “e”.

Temos este tipo de falácia quando alguém questiona, por exemplo, apoias a liberdade e o direito de andar armado?. A desconstrução desta falácia identifica as duas proposições e mostra que acreditar numa não implica acreditar na outra. Assim, podemos apoiar a liberdade mas desaprovar o direito de andar armado, logo, uma coisa não implica, necessariamente, a outra.

Agora que sabe que estas falácias existem, considera-se capaz de as identificar no seu quotidiano? Fique atento ao uso dos articuladores e desconstrua o discurso dos outros! Desafio aceite?

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