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A Importância da Comunicação na Área Farmacêutica

A comunicação é transversal a todas as áreas do saber, já que interagimos inevitavelmente com outras pessoas. Os Profissionais de Saúde, no contexto da prestação de cuidados, devem apostar no desenvolvimento de competências interpessoais e de ferramentas de comunicação, com o objetivo de promover a qualidade de vida dos utentes e aumentar a qualidade dos serviços de saúde. O domínio destas competências é fundamental para habilitar os profissionais a lidar com diversas situações com que se deparam no seu dia-a-dia.

Como farmacêuticos, valorizamos e priorizamos as pessoas e o seu bem-estar, sendo o nosso principal foco o utente como um todo. No processo de comunicação, cabe ao Profissional de Saúde adaptar o seu discurso consoante o utente a quem presta atendimento, tendo sempre em conta os valores éticos, morais e espirituais deste. O correto uso das ferramentas de comunicação, tanto verbal como não-verbal, influenciam fortemente a satisfação dos utentes, e consequentemente a cooperação destes no processo de adesão à terapêutica.

Todas as formas de comunicação não-verbal transmitem uma mensagem. É de extrema importância lidar não apenas com a vertente técnica mas também com a vertente humana, mais sensível e emocional, criando um ambiente promotor ao diálogo, em que o utente se sinta à vontade para expor as suas necessidades e expectativas. O farmacêutico deve adotar uma postura aberta, estabelecer contato visual e adotar uma escuta ativa, incentivando o utente a falar abertamente acerca das suas preocupações. Saber ouvir, sem ideias pré-concebidas ou julgamentos prévios, facilita a identificação de eventuais preocupações manifestadas pelo utente e a consequente escolha do método terapêutico. O farmacêutico deve sempre respeitar os pontos de vista e as opiniões do utente acerca do seu estado de saúde.

Uma boa relação entre o utente e o Profissional de Saúde requer compromisso, responsabilidade, confiança e privacidade por parte de ambos. O sorriso e o simples gesto de consentimento com a cabeça fazem a diferença e são aspetos positivos que tranquilizam o utente. Ao mostrar-se empático para com o utente e recetivo à sua mensagem, o farmacêutico transmite uma imagem de interesse e disponibilidade profissional, que cria no utente um sentimento de satisfação

Relativamente às competências de comunicação verbal, o farmacêutico deve orientar a conversa com o utente, optando preferencialmente por perguntas de resposta aberta, já que estas incentivam o utente a partilhar informações importantes acerca da sua história clínica. Através da troca de informações entre o farmacêutico e o utente promove-se a compreensão e a reflexão crítica, que ajudam no processo de construção de um raciocínio clínico. A capacidade de desenvolver estratégias de comunicação flexíveis e específicas para cada situação clínica – atendimento personalizado – demonstra atenção e cuidado por parte do farmacêutico e cria um sentimento de confiança no utente.

É essencial, e um dever ético, educar os utentes e partilhar informação detalhada que lhes permita tomar decisões conscientes e ponderadas, de modo a que estes se tornem capazes de participar, de forma consentida, na tomada de decisões partilhada, na discussão dos diversos métodos de diagnóstico, de tratamento, de procedimentos e dos cuidados respetivos. Os resultados devem corresponder tanto às expectativas do utente como às expectativas do Profissional de Saúde. Para isto, é necessário o conhecimento acerca das opções terapêuticas e preferências do utente, para que o Profissional de Saúde seja capaz de comunicar e discutir planos de tratamento com este. Uma comunicação ineficaz pode resultar em erros de diagnóstico, tratamentos inadequados e erros de medicação.

O Profissional de Saúde não deve abdicar da linguagem técnico-científica, porque é esta que confere credibilidade ao seu discurso, no entanto , não a deve sobreutilizar, já que nem todas as pessoas possuem tais conhecimentos relacionados com a área da saúde. De modo a facilitar a compreensão, o farmacêutico deve fornecer informação de pouca complexidade, repetidamente, de forma explícita e concreta, realçando o mais importante, e, simultaneamente, adotar um tom audível e utilizar palavras simples e objetivas, de modo a que a mensagem seja transmitida de forma clara.  

O desenvolvimento contínuo das capacidades de comunicação em todos os profissionais é uma necessidade essencial e um dever crucial. É impossível não comunicar. Todos os comportamentos humanos são uma forma de comunicação. Assim, cabe a cada um de nós melhorar a nossa comunicação, de modo a atingirmos o nosso verdadeiro potencial.

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Artigo redigido por: Beatriz Adão