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Como Comunicar em Videochamadas

A NOVA REALIDADE DA COMUNICAÇÃO

Como ser social, o ser humano comunica constantemente, interagindo com aqueles que o rodeiam. Comunicar é inevitável.

Vivemos na era da comunicação global que transforma a condição humana e as suas necessidades: uma era em que o Homem pode estar presente, ainda que ausente; perto, ainda que longe; desinformado, ainda que afogado num mar de informação.

A comunicação presencial é a forma de comunicação primária da condição humana, no entanto, a cada dia que passa, facilmente constatamos que o Homem procura encontrar novos meios de comunicação.

No mundo tecnológico em que vivemos, é necessário e indispensável orientar o nosso saber para a compreensão das novas tecnologias da informação e comunicação, de modo a melhor nos adaptarmos a esta mudança tecnológica, não desvalorizando aquilo que faz de nós humanos.

A virtualização da realidade por meio da tecnologia tem vindo a evoluir no sentido de retirar a vertente impessoal da tecnologia e conferir-lhe um caráter mais pessoal, na tentativa de aproximar a realidade presencial à realidade online.

Na impossibilidade de estar presente fisicamente, a tecnologia ajuda a diminuir a distância social, sem diminuir o isolamento. Cada vez mais vivemos conectados, mesmo que à distância.

Como cativar em videochamada – do início ao fim

A comunicação online, por ser uma forma mais impessoal, exige especial atenção, já que facilmente se criam relações mais superficiais e se negligenciam certos aspetos que, comparativamente à comunicação presencial, teríamos em consideração. Deste modo, aquando da participação numa videochamada, é necessário que tenhamos em atenção outros meios que fortaleçam a relação com quem está no outro lado do ecrã.

Num discurso, para além do conteúdo que é dito verbalmente, a maneira como este é expresso também é importante. Aspetos como a entonação, os ritmos de fala, a gesticulação e as expressões faciais são significativos e devem ser tidos em conta no processo de comunicação, seja este via presencial ou via online. A lógica a seguir é: se é algo que terias em atenção presencialmente, tem em atenção via online; se é algo que não farias presencialmente, não faças via online.

Tal como é habitual numa apresentação presencial, também uma apresentação online pode e deve ser acompanhada por conteúdos visuais, como o PowerPoint.

É importante relembrar que nós apenas conseguimos tomar total atenção a uma coisa de cada vez e perdemos cerca de meio segundo de informação cada vez que redirecionamos o nosso foco de atenção – switch-tasking

Tendo isto em conta, a informação contida neste suporte digital deve ser simples e complementar ao conteúdo que estamos a comunicar, caso contrário quem nos ouve facilmente perde a atenção do nosso discurso, pois depreende que tudo o que vamos dizer se encontra escrito no PowerPoint. Para além do referido, a informação deve ainda encontrar-se dividida por slides, permitindo não só ao emissor como ao recetor seguir a linha de pensamento.

Tal como numa apresentação presencial, também numa apresentação online é necessário manter o interesse do público-alvo, a questão é: como?

A maneira mais eficaz é através da interação com a própria audiência, recorrendo a um método de pergunta-resposta, na qual o emissor faz perguntas retóricas com o objetivo de colocar o recetor a pensar no assunto. Ao utilizar este método demonstra o seu saber na área e capta a atenção do recetor. Ter ainda em atenção que, como seres humanos, apenas conseguimos dedicar um máximo de 2 minutos seguidos de atenção total a algo, pelo que é de extrema importância ter em consideração estas dicas de discurso, nomeadamente a imprescindível utilização de transições, alertando a audiência para a mudança de tópico. No sentido de esclarecer as eventuais dúvidas que poderão ter surgido durante o discurso, deve perguntar-se sempre no final de cada ponto se a mensagem foi clara, criando um ambiente propício à discussão do tema em questão.

Outra técnica que promove a empatia, especialmente na comunicação online, é tratar a pessoa pelo seu nome quando nos dirigimos ou nos referimos especificamente a ela, já que muitas vezes em videochamadas estão várias pessoas presentes, o que faz prender a atenção dessa mesma pessoa e a faz sentir importante. 

O corpo também fala – A mensagem que passa para o outro lado 

Tanto presencialmente como em vídeo, a postura é um dos aspetos mais importantes a ter em consideração durante o discurso. Mas como demonstrar uma postura adequada através de um ecrã? O ser humano tende a procurar sempre a posição mais confortável. Por esta ordem de ideias, quando nos sentamos numa cadeira, a tendência é adotarmos a posição que consideramos mais confortável. O problema prende-se com o facto de uma posição confortável significar descontração e consequentemente menos energia, o que promove a distração. Tendo logo à partida isto em conta, podemos optar por nos sentar na ponta da frente da cadeira, mantendo sempre as costas direitas e não inclinar o corpo para a frente, de modo a permitir uma boa respiração, o que facilita uma fala adequada. Por outro lado, não devemos colocar os cotovelos em cima da mesa uma vez que esta atitude transmite uma ideia de superioridade e poder.

A gesticulação é também uma ferramenta indispensável aquando do processo de comunicação tanto presencial como online, funcionando como um mecanismo de alívio de adrenalina, o que permite dominar o nervosismo. Ao complementar a gesticulação descritiva – que possibilita a criação de uma imagem visual de uma ação ou de uma localização – e a gesticulação enfática – que permite destacar e reforçar ideias – com o discurso verbal, aumenta-se significativamente a clareza da mensagem transmitida. Via online, é necessário ajustar a distância relativamente ao dispositivo tecnológico, de modo a que a zona peitoral esteja visível. Caso a gesticulação não seja percetível, comprometemos o nosso discurso, já que esconder as mãos é inconscientemente percebido como sinónimo de desonestidade e desconforto.

Sabe-se que o olhar é uma ferramenta extremamente importante no processo de comunicação, uma vez que é através deste que a mensagem tanto verbal como não-verbal ganha vida. Assim sendo, devemos ter em atenção não só o modo como olhamos para as outras pessoas, mas também a mensagem que transmitimos através do nosso olhar.

Através do contacto visual, é possível captar a atenção da outra pessoa, focando-a no nosso discurso e não no ambiente ao seu redor, o que nos coloca automaticamente numa posição dominante em relação ao outro. Isto explica o porquê de muitas pessoas desviarem o olhar e se sentirem intimidadas por estabelecer contacto visual, já que se sentem a mergulhar no raciocínio de quem fala e na obrigação de entender as suas perspetivas. Por outro lado, ao estabelecermos contacto visual com a outra pessoa, transmitimos uma imagem de confiança e segurança, aumentando a nossa credibilidade.

Na comunicação online, o contacto visual encontra-se, em grande parte, comprometido, já que olhamos indiretamente para a pessoa a quem transmitimos a mensagem. De modo a tornar a videochamada o mais pessoal possível, assemelhando-a à comunicação presencial, há algumas dicas que devem ser tidas em conta, tais como: colocar a câmera do dispositivo na linha do olhar (de modo a evitar que o olhar esteja direcionado para cima – imagem de insegurança e submissão – ou para baixo – imagem de arrogância e superioridade), ajustar a distância entre o topo da nossa cabeça e o topo visível no ecrã; posicionar a nossa imagem debaixo da câmara (já que tendemos a olhar para nós mesmos enquanto falamos por videochamadas), colocar um círculo vermelho à volta da câmara (de modo a relembrar que é necessário estabelecer contacto visual), colocar post-its com palavras-chave no ecrã (de modo a evitar desviar o olhar da câmara).

5 Dicas para uma videochamada brilhante

Quais os aspetos extra a ter em conta aquando da comunicação online?

  1. Som

Devemos utilizar sempre fones em ambientes não silenciosos e sempre que a reunião for feita através do telemóvel e ter o cuidado de desativar o microfone sempre que não estamos a falar.

  1. Ambiente

A luz é um fator que influencia em grande parte a criação de empatia. Presencialmente, criar empatia é um processo muito mais natural do que via online. Se a luz não deixar percetível a cara da pessoa que fala, esta não transmitirá uma imagem de confiança para o outro lado do ecrã, uma vez que tememos o desconhecido e este torna-nos inseguros, por muito inconsciente que seja esta atitude. Quanto ao cenário de fundo do ecrã, o ideal é escolher uma parede de cor lisa (de modo a prevenirmos possíveis distrações) e evitar janelas com muita iluminação (pois ficamos em contraluz).

  1. Privacidade

Por exemplo, ao partilhar o ecrã, mostrar apenas a janela específica da videochamada, de modo a evitar eventuais problemas.

  1. Equilíbrio do dispositivo tecnológico

Para que a imagem não esteja constantemente a tremer, apoiar o dispositivo tecnológico numa superfície estável.

  1. Dependência da tecnologia (software e internet)

Nas plataformas online, o domínio da tecnologia assume-se como o intermediário de todo o contexto da aprendizagem. Relembrar que devemos testar a plataforma de acesso antes da apresentação e rever os tópicos anteriormente enunciados.

Em suma, a comunicação presencial e a comunicação online não são assim tão diferentes, apesar de ambas as modalidades utilizarem diferentes meios, pretendem atingir o mesmo fim: impactar positivamente a audiência e transmitir a mensagem pretendida.

A melhor forma de se aprender a comunicar é comunicando.

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Artigo redigido por:
Beatriz Adão